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Palavra do Presidente: De graça?

De graça?

 

Por Antonio José Barbosa da Silva

Será justa a decisão do Supremo sobre a proibição  de os policiais entrarem em greve? É discutível, e muito.
Pela interpretação do STF, a polícia  está impedida da participar de movimento grevista, sob as penas da lei. Mas aí surge um grave problema: se os estados e a união ficarem, por exemplo, um ano seu cumprir com os seus deveres de pagar em dia, pelo menos, o que ocorrerá?
Vão querer que os policiais trabalhem sem a menor condição? Como irão para o trabalho sem o “bom”?
É caso complicado para se resolver.
Os ministros do Supremo, sem a menor dúvida, não levaram em conta esse complicador ao tomar medida tão drástica, em decisão discutível ao extremo.
Vão continuar a exercer a profissão de alto risco, sem a remuneração devida? É. Para a mais alta Corte do país, sim.
A população tem direito à segurança; é assunto pacificado. Contudo, a contrapartida é o pagamento em dia e bem em dia, e não com atrasos como acontecem aqui no Estado do Rio e em outras unidades da federação.
Tomar decisões no plenário é moleza. Todavia, injusta é outra coisa, e das piores.
O policiamento é fora de dúvida mais do que necessário, mas o Supremo não pode deixar de reconhecer que  salário faz falta,  para permitir, inclusive, o sustento da família.
Trabalhar de graça nem relógio; o conserto sai caro, sem falar nas trocas de pilha.
O STF deveria, primeiro, impor obrigações para cumprimento das obrigações  dos  estados,  para evitar injustiça. E bota injustiça na decisão.
A segurança da população depende um policiamento digno e remunerado.
O Supremo levou em consideração uma greve branca? É pior que a declarada.

(Publicação em O Fluminense de 21-4-17)



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