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Palavra do Presidente: Sopro de esperança

Sopro de esperança


 
Por Antonio José Barbosa da Silva - presidente da OAB de Niterói
 
É lamentável o número de mendigos  que dormem nas ruas de Niterói, notadamente no centro da cidade. O  mais grave é a falta de providência do estado e do município para resolver o angustiante problema social.
 
A Avenida Amaral Peixoto, por exemplo, está coalhada  de moradores de rua, muitos dos quais acompanhados de menores e dos cães. Existe um que expões seus três animais com o maior apego e simpatia. Divide seu pedaço  com os animais.
 
O quadro é triste por se ver tanta gente desamparada dormindo com um simples e velho cobertor que nem consegue cobrir o pé, daqueles que no interior são conhecidos como “peleja”, pois se cobre o pé, descobre o peito, resultando numa peleja sem fim.  Deixa qualquer um, mesmo aqueles mais insensíveis, preocupados com a situação de abandono e drama social.
 
Alguns explicam que estão em busca de emprego, para logo em seguida, acusar a recessão pela dificuldade. Culpam os políticos por falta  de amor à pátria e apego ao dinheiro.
 
“Vida tá brava, doutor”, diz  Samuca (omite-se o nome de propósito). Ele  já trabalhou  na indústria naval. É do interior e busca emprego há  mais de um ano. “Ninguém acredita mais nos políticos, que apenas querem puxar a sardinha para o seu lado, desabafa”.
 
Outros afirmam que não deram sorte na vida e o jeito foi se tornar morador das ruas. Aqui na Amaral Peixoto “conta-se com abrigo e um prato de comida doado”.
 
A totalidade é conformada com a situação e  assim vão levando a vida.
 
É necessário um trabalho eminentemente social para reduzir esses percalços da  vida, que, para eles, parece não levar a um destino melhor, a não ser a mendicância.
 
A cidadania é um bem que todos merecem ter, por mais humildes que sejam. É preciso a união do estado e do município em torno desse basilar direito que tanto bem faz a qualquer cidadão, pobre, remediado ou rico. Hoje muito relegado a um plano bem inferior.
 
Brigar por melhores condições humanas para os mais desassistidos é um passo genial em busca da cidadania. Não se pode deixar cair no esquecimento a luta pelos direitos dos menos favorecidos pela sorte, como ocorre com os moradores das ruas. De cara, é preciso abandonar o egoísmo e o individualismo para pensar no coletivo:  lutar  pelos direitos dos menos favorecidos pela sorte.
 
Em defesa da dignidade humana, é preciso ter amor ao próximo, mais precisamente aos pequeninos, com a implantação de programas sociais.
 
Espera-se que as autoridades  entrem de corpo e alma nesse belo movimento para dar solução ao problema da mendicância, com prevalência da solidariedade humana.
 
(Publicação em O Fluminense de 2-6-17)



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