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Palavra do Presidente: Sim, sim, sim

Sim, sim, sim

 

Por Antonio José Barbosa da Silva - presidente da OAB de Niterói

A advocacia em Niterói está passando por um período crítico, dos mais violentos. Tudo por efeito da famigerada recessão, da crise política, da justiça lenta e do “mero aborrecimento” nos juizados especiais. O mar não está para peixe.

Falência, recuperação judicial, medidas econômicas, fechamento de empresas e, principalmente, os problemas mencionados atingem a advocacia em cheio. Há uma séria evasão, com os escritórios de médio e grande porte dispensando profissionais para segurar a barra.

Em Niterói, um único escritório foi obrigado cortar 50 advogados e advogadas e 200 estagiários.

É um número assustador e revelador.

Empresas suprimem aumentos e quem paga o pato são os advogados, que são dispensados pelos escritórios.

 São alguns dos problemas que, somados ao conceito de “mero aborrecimento” para o dano extrapatrimonial, à  demora nos despachos, à lentidão na expedição de alvarás e à recusa de receber advogados por alguns juízes, etc., são os principais responsáveis pela barafunda.

A advocacia está entrando na recessão e corre o perigo de ficar reduzida a alguns escritórios.

O escritório compartilhado da OAB de Niterói está com sobrecarga e a entidade já pensa em aumentar o número de salas para atender à demanda. Lá o profissional conta com gratuidade em tudo e por tudo. Há salas de espera,  dez gabinetes, um saboroso e quente cafezinho. E água filtrada  bem geladinha.

Já existem  estudos para ampliá-lo  para atender à demanda crescente, que ninguém  sabe quando terminará. Menos, é claro, para o "otimista" ministro da Fazenda, com sua pregação que não surte efeito, a não ser no jogo de palavra.

Na atualidade caótica, é pão com mel.

A vida do advogado  está no centro de um tsunamis. São  água e vento por todos os quadrantes.  A lamúria é incontável.
 
Os problemas angustiantes apenas terminarão quando o país voltar a contar com um astral alto e o judiciário se tornar  mais célere, para que continue na vanguarda e não caia no conceito da população, como ocorre com o Legislativo e o Executivo.
 
Até lá, o exercício da advocacia ficará cada vez mais tolhido, com todos os profissionais e a sociedade, de olhos vivos e antenados, fazendo votos para que os estádios brasileiros, ou melhor, as arenas, abocanhem uma multidão vibrante  que torça e ovacione um Brasil melhor e confiável.
Até lá, novamente é bom frisar, o caminho que o advogado vai percorrer continuará em maus lençóis pela ação  de muitos tsunamis com suas ondas letais e destruidoras.

Trabalhar por uma Justiça brilhante e justa no cumprimento da legislação,  e que  cada um dê um pouco de si para tirar o Grande Brasil do atoleiro em que se encontra.
 
Não há outra saída.

(Publicação em O Fluminense de 25-8-17)



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