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Palavra do Presidente: Bicho de sete cabeças

Bicho de sete cabeças

 

Por Antonio José Barbosa da Silva - presidente da OAB de Niterói

Lá, é destruição por todos os lados, que começou no Caribe e alcançou os Estados Unidos, furacões, e no México, terremoto. Causou mortes e deixou milhares desabrigados  pela   fúria do mar, dos ventos e da terra.
Foi um arraso total nas cidades atingidas pela convulsão climática. Mas lá, o que a natureza estraga, pelo menos, nos EUA e alguns países do Caribe e do México,  o governo refaz.
Por aqui, acorre o contrário por conta da arrogante máquina administrativa, com seu desleixo quase incurável. Mesmo protegido pela  natureza  este Grande Brasil, abençoado por Deus, por contar com   uma  população avessa à discriminação de cor, religião e sexo, corre perigo Por quê? Devido ao triste contraste, que poderá deixá-lo manco em dores, sofrimentos e mortes.
É a maior aberração que varre estas plagas. Arrebenta qualquer mudança climática de além-mar.
Os exemplos salpicam ao infinito.
A represa de Mariana, em MG, é o principal carro-chefe dessa engrenagem, de desacertos e omissões. Foi um estrago que, até hoje, permanece desafiando e  deixando na rua da  amargura centenas e centenas de pessoas.
As obras inacabadas são outro grande desafio. As estradas no Norte e Nordeste servem de paradigma. Transformam em época de chuva em verdadeiros lamaçais, prejudicando a economia e a população dos municípios atingidos. É lama pelos quatro ventos.
Mas não terminam nesses exemplos infernais.
Tem muito e muito mais nesse carrossel de malfeitos.
O desmatamento é mais um adendo, pipocado pela omissão daqueles que procuram através de leis, decretos ou medidas provisórias evitar o combate à agressão ao meio ambiente. Assim, motosserra pode desmatar, livremente e ao bel prazer, as áreas das reservas de  Mato Grosso, Goiás, Amazonas e Pará. É joia rara ao inverso para essa devastação nas matas. É um problema seríssimo que não pode servir de atenuante para a permissividade das autoridades do Executivo e do Legislativo.
Outro angustiante legado, abandonado ao tempo, é a poluição dos rios, hoje dominados pelo lixo e detritos industriais, acabando praticamente com os peixes e outros animais. Afeta, sobremaneira, a população.
Esses são alguns dos maus exemplos decorrentes da omissão das autoridades e certos segmentos da sociedade, onde o dinheiro está acima do bem o do mal. Para eles, o que interessa é  o dinheiro.
 Falta, portanto, uma ação efetiva para pôr um ponto final na destruição das reservas do país.
 
(Publicação em O Fluminense de 15-9-17)



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