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Palavra do Presidente: Rastreador

Rastreador


Por Antonio José Barbosa da Silva - presidente da OAB de Niterói


É um verdadeiro busca-pé, porque solta pequenas explosões como as que salpicam em épocas de festas juninas e são adoradas  pelas crianças em suas brincadeiras.

O motivo da citação: são celulares, os donos do mundo de hoje. Deixam a população vidrada e escrava dessas máquinas que tanto facilitam a comunicação como podem causar sequelas.
 
Mas não se pode  remar contra a maré; portanto, a solução é seguir o seu  ritmo e tentar alertar a sociedade sobre os perigos e os incômodos do uso dos celulares para a saúde e para a falta de atenção e grosserias  entre amigos, casais, e nas cerimônias e encontros.
 
Em resumo:  perde-se o controle e  a capacidade de gerir o tempo de maneira produtiva, sem falar nos efeitos para a saúde, a começar  pela visão, comprometimento da atenção, bitola e outras conseqüências.
 
Já existe um termo médico para este vício: Nomofobia.
 
O que significa: “ansiedade, perda de contato com pessoas próximas, sentir-se mais feliz na vida virtual que na realidade, se preocupar com as curtidas e compartilhamentos de uma foto, e deixar de aproveitar os momentos da vida para postar uma selfie”.
 
Estes são alguns dos sinais de que  a pessoa está passando do limite.
 
Segundo os médicos, o uso abusivo do celular pode se tornar um transtorno psicológico que  desencadeia depressão, desatenção, etc., etc.e mais etcs.
 
Além dos problemas de saúde, há ainda o papel dos pais que não impõem horários para os filhos: deixam  manusear os aparelhos nas horas mais impróprias para falar com dos amigos e amigas e ficar na praga dos joguinhos.
 
Conversam e jogam durante almoços e jantares e, em praticamente, todo o dia. Nem as salas de aula e os recreios  escapam.
 
Os adultos – nem é bom falar - se transformam em pessoas grosseiras: estão em qualquer atividade, privada ou pública, para trocar mensagem. Até durante as novelas, não abrem mão dessa prática descabida.
 
 É o fim do fim.
 
Contudo, como são pessoas maiores e vacinadas,  e donas de sua vidas,  não estão nem aí para os julgamentos de serem egoístas, frias e distantes,  e, muitas vezes,  insuportáveis.
 
Mas, se acham que é só isso,  estão enganados. O pior vem agora: o término da privacidade entre todos os envolvidos é o mal maior. Mensagens privadas podem ultrapassar os limites e já vêm sendo utilizadas, inclusive, como prova em processos judiciais.
 
Enfim, cada um é dono de si, mas as crianças precisam de um freio para evitar um mal maior.
 
(Publicação em O Fluminense de 20-10-17)



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