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Palavra do Presidente: Alquimista

Alquimista

 

Por Antonio José Barbosa da Silva - presidente da OAB de Niterói

“Boca de sino” ou cano reto são dois mecanismos usados na década de 50 para as motos transitarem pelas ruas e estradas e aumentar o barulho dos canos de descarga. Azucrinavam os ouvidos dos pedestres e moradores.

A moda está voltando, ainda que de uma maneira menos estrondosa da que ocorria na naquela época de sons elevados. A Avenida Alberto Torres e as praias das Flechas e de São Francisco eram grandes palcos, sobretudo à noite, quando o ronco das BSA, Norton, Royal, BMW, MBAugusta, Gilera, Harley Davies entre outras marcas inglesas, alemães, italianas e americanas eram de endoidecer. Na época, não existiam as japonesas, que hoje dominam o mercado.

Hoje pelas ruas da cidade nota-se que esses bólidos circulam a todo o vapor, sem dar a menor bola para a lei do silêncio e os guardas municipais. Zunem e zunem com toda a força que os poderosos motores quatro tempo permitem.

Há necessidade de medidas purificadoras para obrigar o respeito à lei do silêncio. Pelo visto, as hors concours não assustam nem a barulheira das potentes marcas japonesas e, raramente, de algumas BMW.

Já as co-irmãs, as  bicicletas e, agora, os pedestres caminham nessa rota, só que sem barulho e cometendo imprudência. Desrespeitam a sinalização nas  ciclovias criadas para facilitar o trânsito, sem perigo, como nas calçadas, e as ruas e avenidas longe das faixas.

Não querem saber da sinalização e metem a bicicleta em cima de que ousar desafiar os poderes dos ciclistas. Quando a lei é descumprida, eles se tornam pequenos marginais. Sabem que podem causar acidentes. Idem quanto aos pedestres.

As calçadas são outro local inseguro para o transeunte,  enquanto deveria ser o contrário. Julgam-se os donos pedaço e passam a desconhecer os direitos e deveres da cada pessoa. O direito de  ir e vir vai para o anonimato.

O ciclista fora da lei receberá multa de R$ 130,16 e o pedestre também não escapou: se atravessar fora da faixa receberá um “prêmio” de R$ 44,19.

É salutar pôr um freio nos  imprudentes, motociclistas, ciclitas e pedestres para acabar com a tormenta do barulho e dos perigos, já que os três violam as leis do silêncio e do trânsito, sem pensar que contribuem para tirar o sossego e colocar em risco a vida dos pedestres e deles também.

Nesses casos, as multas podem ser aplicadas aos irresponsáveis, bastando a boa vontade da fiscalização na aplicação das leis.

É uma ótima pedida, se concretizada na prática, como medida saneadora.

Para frente é que se anda; nunca para trás. Ficar com a primeira hipótese é o que a população quer e deseja ansiosamente.

(Publicação em O Fluminense de 16-2-18)



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