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Palavra do Presidente: Ressonância

Ressonância

 

Por Antonio José Barbosa da Silva - presidente da OAB de Niterói

Por essa a multidão que assistia ao desfile da Escola de Samba Paraíso do Tuiutí nunca poderia imaginar que fosse acontecer: abordagem de um tema de crítica que fugia da política, de raça, de sexo, de gênero e de religião: a malfadada reforma trabalhista em pleno Sambódromo. E, muito menos, que fosse tão ovacionada pelos presentes e na TV. Causou surdez. 

Quem deve estar com dor de cabeça são os que votaram a favor do desmanche. Doeu, e muito. É o feitiço virando contra os feiticeiros.

O povo aplaudiu de pé. Nesta altura dos acontecimentos, as autoridades estão vendo como pisaram de mau jeito na Marquês de Sapucaí.

E agora o que dirão em casa para um desfile que praticamente deixou a pé os trabalhadores e com alegria contida o patronato. Não esperavam a manifestação de repercussão nacional.

 Esquecem que as leis trabalhistas não são  responsáveis pela recessão, pelos desníveis sociais, etc.

Mas, agora, com os novos donos da verdade - por sinal, em baixa perante a opinião pública - a reforma da lei trabalhista tem  novos  luminares, que só sabem falar sobre o triste assunto e a justificativa. Deitam e rolam para dizer que será  responsável pelo crescimento do Brasil.

 

Será mesmo?

 

 Esquecem que, se o país está em crise, não é por culpa do trabalhador e dos empresários.

 

Antes de desmontar os direitos  trabalhistas, deveriam primeiro pensar em   procurar outras formas, no Congresso, para beneficiar o empregado e o patrão.

 

A atual reforma somente agravará o problema, pois precarizar não é nem nunca será solução. Apenas trará maiores prejuízos para os empregados, causando clima de discórdia. E acabará por fazer minguar os cofres da Previdência Social com o trabalho informal. Verdadeiro tiro no pé.

 

Quem sabe se nesta legislatura que está começando, os congressistas encontram uma maneira de consertar as coisas, já que acompanhar o governo é perder  votos, e muitos.

 

O trabalho merece um tratamento digno, porque  os protagonistas do mundo do trabalho  dependem um do outro. São forças antagônicas, mas que devem caminhar juntas. Não se pode quebrar  o equilíbrio que sempre existiu e beneficiar somente o lado de quem emprega.

 

A Tuiutí marcou presença na passarela do samba  e alertou as autoridades para um problema crucial da história.

 

No caso vertente,  não há como prevalecer a possibilidade de um capital esmagador e trabalhador com pouquíssimo direitos.

 

Que o exemplo da Tuiutí dê bons frutos  no Congresso, para que o trabalhador tenha mais proteção da legislação  e deixe lado o temor e a preocupação com o dia de amanhã.

(Publicacâo em O Fluminense de 23-02-18)



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